quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Milagre da chave

Se alguém se chama Geraldo tem alta probabilidade de ser mineiro e uma grande chance de ser curvelano. O santo italiano de Muro chegou por acaso na cidade e ganhou mais destaque local que o próprio padroeiro, Santo Antônio. Dos painéis que narram sua biografia (a mais inusitada dos heróis católicos) pintados por artistas europeus nas paredes da basílica de Curvelo, o que me chamava mais atenção era o do "milagre da chave". A idolatrada imagem do menino Jesus foi usada por Gerardo (o nome correto, no original) como imã para retirar a peça do fundo da cisterna. Para o espanto dos que presenciaram o milagre, a escultura surgia com o perdido na mão. Nossos olhos de menino se encantavam com aquele fenômeno protagonizado por um leigo que sonhava em ser sacerdote, a despeito de sua pobreza e baixa instrução. No santuário (a outra denominação do nosso majestoso templo redentorista) também se destacava a imagem do santo morto. Para os inocentes garotos, São Geraldo dormia de sapatos.

domingo, 2 de agosto de 2009

Totó Futebol Clube

Bons tempos aqueles... Íamos pro clube, o Recreativo no meu caso, para jogar totó. Acho que hoje se fala pebolim, não? Um jogo de futebol de mesa formado por 11 bonequinhos de chumbo de cada lado, fixos em quatro barras manejadas externamente pelos reais jogadores. Podiam ser competidores individuais ou em duplas. Até mulheres participavam. Mas eram partidas duras, verdadeiros rachas de fim de campeonato, a julgar pela força dos chutes e das rebatidas das defesas. O goleiro tinha que ficar bem firme para deixar escapar um humilhante gol. Os disparos dos atacantes e mesmo dos beques e dos volantes eram tão fortes que a bolinha branca e dura chegava a saltar da cancha, nos fazendo virar gandulas do cimento. Se não me engano, a gente comprava as fichas pro totó no balcão da lanchonete do campestre. Elas liberavam uma a uma as seis bolinhas que caíam no reservatório da mesa. Esta era mais uma das diversões sadias que curtíamos em tardes quentes e compridas de sábado no CRC. Alguém se lembra de mais detalhes?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Prazer em Conhecer

Onde estará a coleção completa de minha casa da enciclopédia “Conhecer”, que a Editora Abril lançou no fim dos anos 1970? Encadernada tinha doze volumes e glossários. Em fascículos, como era o caso lá de casa, eram dezenas. A lembrança de menino que tenho com aquela enciclopédia é de um mundo paralelo, onde viajava pelo tempo e pelo espaço. Não havia lugares ou assuntos ausentes. Nas suas páginas aprendíamos como funcionava uma moenda medieval, como os foguetes entravam em órbita e como um esquilo voador planava. A curiosidade infantil se fartava com aquelas brochuras de tamanho grande e 100% coloridas. Por que um vulcão entra em erupção? O que tem no interior de uma cabine de avião? Quem eram os babilônios? Todas as respostas estavam lá. Em 1967, a Abril Cultural lançou a Conhecer em fascículos que eram colecionados até formar volumes da coleção. Era um tempo em que aprender era divertido e não tinha de concorrer tanto com outras publicações e mídias, sobretudo as digitais. Tínhamos tempo e tranqüilidade naqueles anos curvelanos para sonhar entre livros e revistas. Como era gostoso ampliar nosso horizonte cultural desde cedo, na fase ideal de nossa vida. As ilustrações enormes e detalhistas acompanhadas de textos objetivos e bem escritos eram garantia de conteúdo de qualidade para nossos trabalhos escolares, em papel almaço e cartolina.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Esquadrão espacial

Sempre me lembro de “Mercenários das Galáxias” (Battle Beyond The Stars), filme de 1980 com muitos defeitos especiais e elenco repleto de canastrões. Assistimos no cinema e nos divertimos muito. Era uma espécie de corrida maluca espacial com personagens de carne e osso. A estória meio carnavalesca é a seguinte: os fazendeiros do pacato planeta Akir estão sendo ameaçados pelo tirano Sador (John Saxon). Shad (Richard Thomas), o ator que ficou eternizado como o John Boy de Os Waltons, viaja pelo espaço tentando contratar mercenários que lutarão pela a liberdade do planeta. Neste esquadrão improvisado está Gelt (Robert Vaughn), em cena com várias falas e ações idênticas ao filme “Sete Homens e um Destino”, George Peppard, que interpreta um velho caubói do espaço (detalhe da gaita), e Saint-Exmin (Sybill Danning), uma sensual guerreira da raça alienígena das Valquírias. Nixon era um dos que sempre lembrada do filme, criando o bordão "seus mercenários das galáxias!"

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Grande Hera!

Uma maravilha de mulher. Uma atriz linda até no nome. O seriado de TV Mulher Maravilha, estrelado por Lynda Carter, é mesmo inesquecível. Produzido nos anos 1970 e exibido na nossa infância dos anos 1980, o programa trazia aventuras da princesa amazona em plena Segunda Guerra Mundial e, depois, no tempo presente. Era divertido ver a heroína correndo com trajes quase de banho, desviando balas (faíscas) nos braceletes, saltando de grandes alturas, levantando carros, contorcendo barras de metal, lançando a tiara como bumerangue, pilotando o avião invisível que trouxe da Ilha Paraíso, trocando de roupa com apenas um rodopio... Enfim, arrancando suspiro dos garotos e inspirando as garotas. Tudo bem, tinha também o coadjuvante major Steve Trevor (Lyle Waggoner), a Garota Maravilha (Debra Winger) e até um robozinho, o Hover, que mais parecia um carrinho guiado por controle remoto. Respondo isso com amarrado ao laço mágico dela, aquele que obrigava o rendido a dizer apenas a verdade.

domingo, 12 de julho de 2009

Máquina de costurar e agregar

Na minha casa tinha e em várias outras de Curvelo também. As centenárias e ao mesmo tempo modernas máquinas de costura Singer eram um misto de móvel vintage, reparador doméstico de roupas e ferramenta de trabalho. Em torno dela se costuravam peças de cama, mesa, banho e guarda-roupa e muitas histórias, contadas por mulheres do lar e de outros. Num tempo em que roupa também se fazia em casa e costurar pra fora era renda pra muita dona de casa, o equipamento de madeira e ferro pintado de preto tinha seu lugar de destaque. Nunca esquecerei o logotipo da máquina importada, dos vários retalhos espalhados debaixo dela, de suas gavetinhas cheias de agulhas, linhas e outros apoios à costura. Nem de minha curiosidade com as peças móveis e das engrenagens que transformavam pano em coisas úteis.

domingo, 21 de junho de 2009

Nhaaaac!!

Uma menina comportadinha, que não assusta ninguém à primeira vista. Até que ela se depara com uma fatia de pão com Claybon e... Nhaaac! A mordida típica de desenho animado da loirinha de trancinhas, com um enorme bocão, entrou pra nosso imaginário infantil. A propaganda é clássica. Lembram-se? Dos comerciais televisivos de margarinas dos anos 1970 temos ainda que registrar a carinha desenhada com faquinha na superfície circular do pote de Doriana. O jingle: "A mamãe e o papai, os filhinhos também, todos vão adorar seu sorriso, meu bem". É a versão antiga e cremosa do Smiley, aquela carinha redonda e amarela com sorriso, não é? É o bisavô dos emoticons da internet. O pessoal usava a embalagem para plantar flores e cactos ou guardar alimentos na geladeira.