Quando mostrei para os meus pais o livro "O Mundo Acabou"(Editora Globo, São Paulo, 2006), do jornalista belorizontino radicado há décadas em Sampa Alberto Vilas, eles ficaram loucos de nostalgia. Depois foram outras pessoas de Curvelo pedindo para dar uma folheada. Tive de mandar um de presente para a galera. Era um portal onde se podia ver produtos e costumes de uma Minas Gerais do começo da segunda metade do século passado. Bons tempos aqueles. Tempos em que se comprava frango vivo e se assistia bons filmes no cinema. Obrigado ao autor. De certa forma ele me inspirou a fazer este blog. Vilas foi um dos criadores do Caderno 2 do Estadão e seguiu carreira no telejornalismo: Bandeirantes, Manchete, SBT e Globo, como produtor do Fantástico. Vale a pena ler o livro dele. Recomendo. Alguém aí leu? Depois do sucesso de "O Mundo Acabou", ele publicou mais três sobre o tema e prepara um outro.
sábado, 20 de novembro de 2010
Inspiração deste blog
Quando mostrei para os meus pais o livro "O Mundo Acabou"(Editora Globo, São Paulo, 2006), do jornalista belorizontino radicado há décadas em Sampa Alberto Vilas, eles ficaram loucos de nostalgia. Depois foram outras pessoas de Curvelo pedindo para dar uma folheada. Tive de mandar um de presente para a galera. Era um portal onde se podia ver produtos e costumes de uma Minas Gerais do começo da segunda metade do século passado. Bons tempos aqueles. Tempos em que se comprava frango vivo e se assistia bons filmes no cinema. Obrigado ao autor. De certa forma ele me inspirou a fazer este blog. Vilas foi um dos criadores do Caderno 2 do Estadão e seguiu carreira no telejornalismo: Bandeirantes, Manchete, SBT e Globo, como produtor do Fantástico. Vale a pena ler o livro dele. Recomendo. Alguém aí leu? Depois do sucesso de "O Mundo Acabou", ele publicou mais três sobre o tema e prepara um outro.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
A fantástica fábrica de balas
Ela ficava ao lado da sede social do Clube Recreativo Curvelano e às margens da linha férrea. A velhíssima fábrica de balas de Curvelo ajudou a fazer nossa infância mais doce. Balas delícia e pirulitos eram o carro-chefe da produção com cara de artesanal. Eram guloseimas sortidas basicamente brancas com rajadas de outras cores. Pedras porosas de puro açúcar refinado. Alguém aí mais se lembra? Embrulhadas em papel tipo crepom, coisa bem caseira. Tinha de coco também, se não me engano. Cônego Garcia e padre Paulo Vicente sempre sacavam da batina e distribuíam essas gostosuras para a garotada na rua.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Ci-ci-ci-gaaaaarra!
A monotonia das tardes quentes da primavera curvelana só era quebrada pelo canto das cigarras. Dizia-se nos anos 1970 e 1980 que aquele inseto estaria "chamando chuva" após longos dias secos. A cantoria da personagem de fábula infantil faz parte da nossa infância. No ouvido e na cabeça até hoje ouço o ci-ci-ci-ci... Os meninos ficavam curiosos por saber como aquele bichinho virava potente sirene, modulando sons. Em coro, milhares de cantores fixados nas árvores cidade afora faziam do pôr do sol modorrento ainda mais único. Ao ler sobre características do inseto vi também mais nele um aspecto próprio do sertanejo, sempre um forte: a longevidade. É a garra da cigarra e dos seus cicis.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Almanaque de pharmácia
É claro que não sou dos tempos de PH de farmácia, mas sou do tempo em que os almanaques patrocinados por laboratórios farmacêuticos eram oferecidos nos balcões das drogarias. Eu costumava pegar na Farmácia Jota o Almanaque Sadol, com histórias sobre folclore, palavras cruzadas e outras notas curiosas. Se não me engano tinha lá também o Fontoura, da mesma marca do eterno biotônico (parecia aos nossos ouvidos uma poção mágica para fortalecer fracotes). Os almanaques são publicações de cultura geral que deixam saudades e ainda inspiram dezenas de outras, além de ser objeto de culto para colecionadores.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Chinelada no tédio
Ele voltou recentemente com novo visual, mais parecido com as imbatíveis Havaianas. Mas o que deixou pegadas na memória de minha adolescência foi o velho e bom Rider. Os chinelos pesados eram obrigatórios para ir ao clube ou mostrar descontração em público. Tinha um design moderno e arrojado. Usávamos até literalmente rachar. Lembram? O produto faz parte de um universo nostálgico formado ainda por Congas, Rainhas, Kichutes e Havaianas. Uma peça do vestuário que compunha com camisetas e calções, além de carteiras com felcro e relógios champion. E ainda serviam para demarcar as traves de um gol imaginário na pelada. Alguns mais habilidosos também "lançavam" o chinelo diretamente do pé em tiros certeiros para alvos montados.
domingo, 22 de agosto de 2010
Biscoito finíssimo
Os deliciosos biscoitos champanhe, também muito conhecidos em Portugal, onde recebem a alcunha de “palitos la reine”, resistiram ao tempo e aos paladares modernos e ainda são encontrados com facilmente no varejo. A marca que lembro bem é a da Aymoré, mas sei que tem outra ou outras. São únicos, no seu formato retangular e com as extremidades arredondadas, cor levemente dourada e consistência suave e um pouco quebradiça, tradicionalmente no sabor limão e revestidos por açúcar cristal granulado. Nos meus tempos de menino, comer biscoito champanhe (acho que se escrevia champagne, igual ao do guaraná Antarctica) era um luxo. Era algo para ser consumido em ocasiões e datas especiais e que servia de ingrediente básico para finas tortas doces. Lembram? Comer um biscoito desse puro parecia ser um desperdício. Legal era, pelo menos, mergulhar no copo de refrigerante num lanche de domingo.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Fundo de quintal Lab
Era um pedido insistente pelo presente que foi atendido. Minha prima Cybele, que é química, me presenteou com um jogo científico infanto-juvenil muuuuito legal chamado de Pequeno Cientista. Achei na internet kits antigos da marca Sentosphere, que permitiam experiências simples e quase sem nenhum perigo, quase envolvendo soluções à base de água. A caixa trazia um belo microscópio, dezenas de tubos de ensaio, pipetas e frascos com soluções variadas. Continha oito produtos químicos solúveis com tampa de segurança, três frascos de corantes solúveis na água, um frasco de corante solúvel ao óleo, duas pipetas, uma colher, dois vidros graduados com tampa, dois cavares, um apoio e três tubos de ensaio de vidro, um tubo de ensaio com buraco para fazer bolhas, uma espátula, duas minas de carbono, uma pequena colher, um conector para as pilhas, lunetas de segurança, um mata-borrão e manual instruções para diferentes experiências. Brincava de pesquisador na casa do fundo de quintal, batizada de "o laboratório". Numa das experiências, um pingo de uma mistura ácida me deixou para sempre marca de queimado na mão esquerda. No microscópio observávamos bactérias em fios de cabelo, antenas de formiga e curiosidades mil postas na lâmina. Lembro do cheiro de enxofre vindo de um vidro e de porta-tubos feito por carpinteiro.
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