sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Flash cubes

Em tempos de câmeras digitais, ninguém mais se lembra (os que viveram aquela época) dos flashes plásticos, descartáveis, que encaixávamos na câmera. Gostava de brincar com os flashes usados, fazendo de conta de que eles eram olhos biônicos ou cubos mágicos. O nome do produto da Kodak era, inclusive, magicube. Sim, chegava a abrir pra ver o que tinha dentro, estilhaçando algo tóxico e perfurante, se não me engano. Bons tempos aqueles, de relâmpagos instantâneos, atirados ao lixo ou para a caixa de brincadeiras.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Pastor eletrônico

Bem antes dos programas evangélicos atuais, o mais completo era o importado dos Estados Unidos e estrelado pelo pastor Jimmy Swaggart. Sou católico, mas sempre gostava de assistir os programas dele nos sábados pela manhã, na Rede Bandeirantes. Era tudo dublado, com exceção das partes cantadas, que vinham com legendas. Ele cantava muito bem os seus hits gospel, acompanhado de corais e músicos muito bons. Seus sermões longos chegavam a terminar com lágrimas. Swaggart, com seus óculos de grandes aros, foi talvez o maior televangelista do mundo e tinha seguidores de seu ministério no Brasil e em outros países. Lembro de pedir pelo correio alguns livrinhos gratuitos da igreja dele. Lembro também da notícia de que o envolvimento com prostitutas revelado pela imprensa o levou a pedir perdão ao vivo no fim dos anos 1980, mas que acabou tirando dele boa parte de seu público. Seu estilo competente de apresentador gerou imitadores em várias partes.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Tilintar de cascos

No nosso tempo a palavra casco não remetia apenas a navios e animais quadrúpedes. Casco era o nome das garrafas, do vasilhame, de bebidas. Água mineral, cervejas e refrigerantes eram vendidos em cascos retornáveis. A gente reservava um canto da área de serviço ou lavanderia para juntar as garrafas vazias que serviriam para trocar por outras cheias na compra, geralmente nos fins de semana ou véspera de dias de festa. Tínhamos que tomar o cuidado de não deixar acumular líquido e acomodar as quantidades maiores em engradados, quando tinha. As peças quebradas se tornavam descartáveis. Uma realidade bem diferente da era PET. O casco de Fanta era o mais legal, com seus anéis. O da Coca-Cola tinha gomos e o do Taí um bico em forma de cone. É isso mesmo?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Feelings da Mulher Biônica

Uma prova do estrondoso sucesso do brasileiro Morris Albert no mercado fonográfico norte-americano, com seu hit Feelings, veio da série Mulher Biônica (1975). Foi surpreendente ver a bela atriz Lindsay Wagner cantando a música no episódio que ela era candidata no concurso de Miss Estados Unidos, representando a Califórnia. A heroína de alguns milhões de dólares Jamie Sommers emocionou a plateia e os orgulhosos telespectadores desta parte das Américas, bem antes da denúncia de plágio do sucesso. Curtíamos muito o seriado, juntamente com o seu programa-irmão, O Homem de Seis Milhões de Dólares. Deixei o link do trecho no título deste post. Vale a pena ver (e ouvir) de novo. Será que ela também chegou a gravar algo como cantora?

sábado, 20 de novembro de 2010

Inspiração deste blog

Quando mostrei para os meus pais o livro "O Mundo Acabou"(Editora Globo, São Paulo, 2006), do jornalista belorizontino radicado há décadas em Sampa Alberto Vilas, eles ficaram loucos de nostalgia. Depois foram outras pessoas de Curvelo pedindo para dar uma folheada. Tive de mandar um de presente para a galera. Era um portal onde se podia ver produtos e costumes de uma Minas Gerais do começo da segunda metade do século passado. Bons tempos aqueles. Tempos em que se comprava frango vivo e se assistia bons filmes no cinema. Obrigado ao autor. De certa forma ele me inspirou a fazer este blog. Vilas foi um dos criadores do Caderno 2 do Estadão e seguiu carreira no telejornalismo: Bandeirantes, Manchete, SBT e Globo, como produtor do Fantástico. Vale a pena ler o livro dele. Recomendo. Alguém aí leu? Depois do sucesso de "O Mundo Acabou", ele publicou mais três sobre o tema e prepara um outro.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A fantástica fábrica de balas

Ela ficava ao lado da sede social do Clube Recreativo Curvelano e às margens da linha férrea. A velhíssima fábrica de balas de Curvelo ajudou a fazer nossa infância mais doce. Balas delícia e pirulitos eram o carro-chefe da produção com cara de artesanal. Eram guloseimas sortidas basicamente brancas com rajadas de outras cores. Pedras porosas de puro açúcar refinado. Alguém aí mais se lembra? Embrulhadas em papel tipo crepom, coisa bem caseira. Tinha de coco também, se não me engano. Cônego Garcia e padre Paulo Vicente sempre sacavam da batina e distribuíam essas gostosuras para a garotada na rua.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ci-ci-ci-gaaaaarra!

A monotonia das tardes quentes da primavera curvelana só era quebrada pelo canto das cigarras. Dizia-se nos anos 1970 e 1980 que aquele inseto estaria "chamando chuva" após longos dias secos. A cantoria da personagem de fábula infantil faz parte da nossa infância. No ouvido e na cabeça até hoje ouço o ci-ci-ci-ci... Os meninos ficavam curiosos por saber como aquele bichinho virava potente sirene, modulando sons. Em coro, milhares de cantores fixados nas árvores cidade afora faziam do pôr do sol modorrento ainda mais único. Ao ler sobre características do inseto vi também mais nele um aspecto próprio do sertanejo, sempre um forte: a longevidade. É a garra da cigarra e dos seus cicis.