Q-Suco, que a gente pronunciava quísuco, era o refresco oficial da garotada. Refrigerante era coisa de fim de semana, festinha de aniversário e quermesse. O Q-Suco e o seu concorrente Q-Refresco, pozinhos colorinhos vendidos em sachês laminados por dentro, faziam jarras de litro de suco com enorme praticidade. Os sabores preferidos eram os de uva (roxo), framboesa (vermelho) e abacaxi (amarelo). E o efeito colateral de beber aquelas soluções com cor e aroma artificiais eram as línguas tingidas no tom da embalagem. Esses produtos também se convertiam nos chamados geladinhos, saquinhos plásticos colocados no congelador e vendidos por autônomos como picolés da hora. Acho que também se chamavam chup-chup. Mais adiante surgiu o Tang, uma versão mais encorporada e menos tinta do Q-Suco.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Virou suco
Q-Suco, que a gente pronunciava quísuco, era o refresco oficial da garotada. Refrigerante era coisa de fim de semana, festinha de aniversário e quermesse. O Q-Suco e o seu concorrente Q-Refresco, pozinhos colorinhos vendidos em sachês laminados por dentro, faziam jarras de litro de suco com enorme praticidade. Os sabores preferidos eram os de uva (roxo), framboesa (vermelho) e abacaxi (amarelo). E o efeito colateral de beber aquelas soluções com cor e aroma artificiais eram as línguas tingidas no tom da embalagem. Esses produtos também se convertiam nos chamados geladinhos, saquinhos plásticos colocados no congelador e vendidos por autônomos como picolés da hora. Acho que também se chamavam chup-chup. Mais adiante surgiu o Tang, uma versão mais encorporada e menos tinta do Q-Suco.
De olho no piolho
Lenços, tocas de banho e até sacos plásticos usados como capuz. Por dentro, doses fartas do pó tóxico Neocid, deixando nossa cabeleira grisalha. Era até engraçado ouvir o tic-toc da latinha sendo apertada para bombear o veneno branco por um buraquinho aberto com prego. Éramos proibidos de coçar enquanto o Neocid agia. “Não coça, não. Eles estão morrendo. É bom para matar as lêndeas (os filhotes do piolho)”, orientava quem aplicava. Para completar a operação, mamãe pegava uma folha de papel ou um pano e passava o pente-fino no cabelo. Este é o retrato do combate, liderado por nossas mães, a uma verdadeira epidemia social. O piolho não saía de nossas cabeças no primário e não era por descuido. Era só a cabeça começar a coçar pra coisa ficar muito desagradável e a batalha começar. Outra maneira de combatê-los era a dos macacos: sábado à tarde, nossas mães nos colocavam no colo e começavam a catar e a esmagar os insetos sangue-sugas com as unhas dos polegares. Quando achava um grande, diziam: “ó que boi!” Quem tinha muito cabelo, dizia-se que estava “pingando piolho”. Piolho era também apelido de menino comprido e magro.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Nossa vila olímpica
A Praça de Esportes, de onde despontava o majestoso Ginásio Coberto de Curvelo (Castelo de Gray Skull, no apelido dado pelo amigo Carlos Wagner Santos), era a nossa vila olímpica. Um espaço público com várias quadras poliesportivas, uma piscinona olímpica mesmo e pistas entre os equipamentos para a gente correr adoidado. Ali nós, estudantes das escolas curvelanas da rede estadual de ensino, fazíamos aula de educação física e participávamos de competições. Mas o lugar, vizinho de uma gigante caixa d'água da Copasa, também era um clube social: o Curvelo Tênis Club (CTC). Nunca entendi esse cruzamento de coisa privada com coisa pública. Lembro-me do dia que me frustrei ao tentar nadar lá numa tarde quente e o porteiro me barrou, pedindo a carteirinha. Bons tempos...
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Esquilo poupador
No meu tempo de menino, cofrinho para a gente não era porquinho. Era o esquilinho, do BMG. O boneco azul de plástico do banco mineiro foi uma ação de marketing muito bem sucedida, que leva nostalgia a quem foi criança nos anos 1970. A gente juntava mesmo moedinhas nele e, quando enchia, cortávamos a base ou a cauda para sacar o valor poupado. Era educativo e divertido ao mesmo tempo poupar. Nem sabia que esquilo era símbolo de poupador. Queria saber se os poupançudos, da Caixa, tem tido retorno semelhante com a propaganda de TV e nas agências. Um amigo meu conta que ele levava os cofrinhos cheios no BMG para eles fazerem a separação e a contagem das moedas numa grande máquina.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Flash cubes
Em tempos de câmeras digitais, ninguém mais se lembra (os que viveram aquela época) dos flashes plásticos, descartáveis, que encaixávamos na câmera. Gostava de brincar com os flashes usados, fazendo de conta de que eles eram olhos biônicos ou cubos mágicos. O nome do produto da Kodak era, inclusive, magicube. Sim, chegava a abrir pra ver o que tinha dentro, estilhaçando algo tóxico e perfurante, se não me engano. Bons tempos aqueles, de relâmpagos instantâneos, atirados ao lixo ou para a caixa de brincadeiras.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Pastor eletrônico
Bem antes dos programas evangélicos atuais, o mais completo era o importado dos Estados Unidos e estrelado pelo pastor Jimmy Swaggart. Sou católico, mas sempre gostava de assistir os programas dele nos sábados pela manhã, na Rede Bandeirantes. Era tudo dublado, com exceção das partes cantadas, que vinham com legendas. Ele cantava muito bem os seus hits gospel, acompanhado de corais e músicos muito bons. Seus sermões longos chegavam a terminar com lágrimas. Swaggart, com seus óculos de grandes aros, foi talvez o maior televangelista do mundo e tinha seguidores de seu ministério no Brasil e em outros países. Lembro de pedir pelo correio alguns livrinhos gratuitos da igreja dele. Lembro também da notícia de que o envolvimento com prostitutas revelado pela imprensa o levou a pedir perdão ao vivo no fim dos anos 1980, mas que acabou tirando dele boa parte de seu público. Seu estilo competente de apresentador gerou imitadores em várias partes.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Tilintar de cascos
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