quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Chão colorido

É olhar para o chão e ver um céu de nostalgia. Os velhos pisos cerâmicos das casas mais antigas de Curvelo são um tesouro reconhecido pela própria indústria do setor hoje. Seja nos chamados cemitérios de azulejos, seja nas coleções nostálgicas das fornecedoras (acho que se chamam patchwork, colcha de retalhos), muito material nos conta por onde nossos pés passaram. Eles têm personalidade, remetem a tempos passados e a referências culturais de várias partes do mundo. São cubistas, cheios de arabescos e ricos em grafismos legais. Vale a pena admirar essas cerâmicas hidráulicas.

sábado, 19 de novembro de 2011

Gooood times!

Mesmo quem morava no interior de Minas mais próximo de Belo Horizonte não ficava com o ouvido imune aos apelos do tradicional programa de músicas flashback da BH FM, o Good Times. Os sucessos dos anos 1970 eram revividos nas ondas do rádio a pedido dos ouvintes, a maioria da capital. A gente até hoje ouve certo e hit e solta o slogam "Gooood times". Barry White, Comodors, Carpenters... Tinha ainda uma seção onde a canção era simultaneamente traduzida. Noutra, cartas serviam de confissão de apaixonados, que relatavam momentos especiais embalados por sons inesquecíveis, pela música da história do casal. Elas também faziam declarações, poemas e pedidos de reconcialiação. Bons tempos aqueles.

sábado, 1 de outubro de 2011

Clubes de serviços

Se tinha algo que nos orgulhávamos no interior é o tal clube de serviços. Eram e são organizações de matriz norte-americana, com forte tradição do hoje conhecido terceiro setor, que fazia o bem e promovia o intercâmbio internacional em nome da paz. Na verdade, eles são dois: o Lions Club e o Rotary Club. Seus membros eram conhecidos, respectivamente, por leões e rotarianos. O trabalho social priorizava velhos e crianças carentes, apoio a amamentação, creches e seminários com figuras de fora. Mas o que mais chamava a nossa curiosidade e fazia a festa das colunas sociais eram as tais intercambistas, a maioria delas vinda dos Estados Unidos. As estrangeiras ficavam alguns meses em Curvelo, hospedadas na família designada para acolhê-la. Também tinha a mão inversa, com jovens curvelanas passando temporada na casa de uma mãe gringa. Geralmente na entrada de uma cidade mais evoluída sempre tinha marcos permanentes indicando a presença dos respectivos clubes naquela comunidade.

domingo, 11 de setembro de 2011

Merthiolarde

Havia um tempo que nos pintávamos para a guerra como índios. Cortes e arranhões ganhavam logo uma tintura vermelha por cima, que faziam o ferimento arder como nunca quando era aplicada. Hoje proibido na sua fórmula original com mercúrio cromo, o Merthiloate com sua espátula xadrez era um exemplar único da farmacinha doméstica. O único que o apoiava era o bandaid ou mesmo curativo com esparadrapo. Com ele, um pequeno machucadinho parecia um machucadão. Por isso, tive colegas que, para deixar de usar o sapato do uniforme escolar e desfilar de sandálias ou chinelos, pintavam os dedos dos pés com o antiséptico. Acreditam?

domingo, 4 de setembro de 2011

Bar... Ba... Papa

Passava no programa infantil Globinho, se não me engano, um desenho animado símbolo da minha geração. Diferente de tudo, a família Barbabapa era uma produção europeia com conteúdo educativo. Lembro de cada personagem ser bem diferente do outro pela cor, pelo tamanho e pelos adereços. Eram verdadeiros pufs falantes, com formas de peras maleáveis e que se deslocavam sem pernas. Seus olhos grandes e seu bordão "barbapapa" são inesquecíveis. Tinha o barbapapa, a barbamama, os filhos barba todos etc. Desapareceram de cena e nunca mais vi qualquer nova versão. Pena.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Inseticídio

Parecia que estávamos em estado permanente de guerra com o mundo do insetos. As mudanças de estação, um lote capinado ou um alimento esquecido atrás do sofá eram suficientes para mobilizar exércitos de formigas e outros bichos para atacarem nossos lares. A resposta era igualmente implacável com muito DDT. Os detetizadores vinham iguais aos Caça-Fantasmas do cinema. O maior deles era o Seu Joaquim, uma figura folclórica, que bombeava um veneno branco, de fórmula própria, carregado nas costas num severo cilindro. Além de detetizar, o mais famoso profissional do ramo em Curvelo, também divertia os clientes com piadas, imitações de cachorros, solvejos que pareciam trompetes e outros números dignos de um artista de palco. Um cara altão e de olhos claros, que lembrava o ator global Jardel Filho, Joaquim era uma peça raríssima, o capitão desse inseticídio de rotina em nossas casas. Quando ele entrava, era uma mobilização geral, atacando cômodo por cômodo e desferindo maior força nos ralos. Tudo sem usar máscaras. Dizia que bastava um copo de leite.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Herva milagrosa

A mania de tomar Confrei ou fazer emplastos com suas folhas para ferimentos e inchaços se espalhou rapidamente pela cidade. Era como se tivesse sido descoberto o elixir para todos os males. As autoridades alertavam para os riscos da automedicação caseira, de conteúdo tóxico da planta parecida com espinafre, mas quase ninguém ligou.