segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Semana de filmes santos

Feriado de Semana Santa passado em casa era muito comum para a gente naqueles anos 1970 e 1980. Aquele período era para ir à missa em pleno dia útil e de assistir à tarde na TV Globo uns filmes antigos com temática religiosa. A superprodução clássica de que mais recordo é o Milagre de Fátima. Nele, a passagem mais marcante para mim é quanto o padre diz “o diabo assume muitas formas”, depois do torturante interrogatório dele sobre as três crianças protagonistas da história baseada no episódio da aparição da Virgem Maria em Portugal, no começo do século passado. A telinha também nos oferecia nesses dias santos a série Heróis da Bíblia, muito legal mesmo, e aquela velha cinebiografia de Jesus na qual Ele aparecia só de costas em toda a duração. Vocês se lembram? Havia ainda os dois clássicos dos clássicos: Rei dos Reis e Ben-Hur. A gente se divertia na crença de que as sessões televisivas alimentavam os espíritos.

sábado, 4 de agosto de 2012

Fanfarra de 7 de Setembro

A palavra tarol ainda reverbera no meu ouvido e meu estômago ainda faz eco para o bumbo. Ta-ra-ra-ra! Tum-tum-tum! Todo ano éramos convocados pelo calendário escolar e municipal a participar de uma atividade cívica de grande escala, pelas ruas e sob o sol de Curvelo. O Sete de Setembro era uma farra, aliás uma fanfarra. Os ensaios consumiam semanas de véspera. Os integrantes da banda escolar cadenciavam a marcha dos alunos, que saíam em filas por classes. Os pelotões eram separados por balizas, aquelas meninas com bastões. Também tinha os alunos que levavam faixas e bandeiras de sua agremiação. Os cidadãos todos vinham nos ver e os familiares ficavam orgulhosos dos seus meninos e meninas uniformizados. Alguns vinham até caracterizados por algum personagem histórico ou fazendo a figuração deste. Depois da jornada patriótica no feriado, a dispersão e o retorno para a casa. O cortejo incluía também as forças fardadas da cidade, os policiais e militares. Tudo bonito.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Hora da merenda

Nos meus tempos de menino não havia chá das cinco nas nossas casas. Mas tinha um generoso café das quatro. Era a hora da merenda. A mãe da gente ou a empregada nos chamava e vínhamos correndo para comer pão doce, pão salgado, pão de queijo, marta rocha, biscoito de queijo, bolo de fubá, fatias com ou sem açúcar por cima... Lá nos esperava uma farta mesa servida sobre uma toalha xadrez estendida com as delícias mineiras da tarde. Todas as iguarias regadas a leite de vaca e café doce coado na hora. Quando queríamos continuar vendo TV, preparávamos um prato e o levávamos ele para a sala com um caneco na mão. Se estudávamos no período da tarde, a hora do recreio da escola também era a esperada hora da merenda. A diferença estava no cardápio não menos saboroso e calórico, que incluía até feijão tropeiro.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Arabesco de caminhão

Para mim, sempre houve uma cultura milenar escondida nos desenhos estereotipados nas carrocerias de caminhão. Mas do que as famosas frases de parachoque, eu viajava nos traços quase rupestres nas madeiras do curralzinho sobre o chassi. Alguém me ajuda?

Madribon, o bom


O remédio era bom até no nome. Madribon, um xarope dos meus tempos de infância, tinha gosto de licor de cacau, um tipo de marula amarelado muito gostoso mesmo. Gostava de ver o frasquinho plástico dele sendo apertado para deitar algumas gotas na colher. Resfriado forte, garganta doendo, era com ele mesmo. Engraçado que muita gente diz não se lembrar dele. Curiosamente, só depois, lá pelos nove anos, é que descobri ser alérgico à sulfa, princípio ativo central do produto da Roche.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Escrete de ouro

A seleção de 1982 foi realmente antológica. O mestre Telê Santana e um elenco de estrelas só superado pelo time tricampeão de 1970. Lá estavam os craques de nosso Galo, que reinou entre a segunda metade da década de 1970 e o começo dos 80. Bons tempos aqueles, de Reinaldo, Cerezo, Luizinho, Paulo Isidoro, Éder... Bons tempos da seleção canarinho que viu seu sonho de tetra morrer nas redes do Estádio do Sarriá, na Espanha.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Chão colorido

É olhar para o chão e ver um céu de nostalgia. Os velhos pisos cerâmicos das casas mais antigas de Curvelo são um tesouro reconhecido pela própria indústria do setor hoje. Seja nos chamados cemitérios de azulejos, seja nas coleções nostálgicas das fornecedoras (acho que se chamam patchwork, colcha de retalhos), muito material nos conta por onde nossos pés passaram. Eles têm personalidade, remetem a tempos passados e a referências culturais de várias partes do mundo. São cubistas, cheios de arabescos e ricos em grafismos legais. Vale a pena admirar essas cerâmicas hidráulicas.