segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Dominique, nique, nique...

A música cantada pela freirinha de violão rodeada de crianças nunca saiu de minha cabeça. Um antigo sucesso dos anos 1960, tema do filme norte-americano Dominique (The Singing Nun, EUA, 1966), com Debbie Reynolds e Ricardo Montalban (o senhor Roarke de A Ilha da Fantasia), tinha como refrão o famoso "Dominique, nique, nique... Sempre alegre esperando alguém que possa amar". O programa típico de Sessão da Tarde nos anos 1970 era baseado num musical infantil, por sua vez inspirado numa personagem real, a religiosa belga Souer Sourire, a Irmã Sorriso. Ela cuidava de crianças pobres e vivia cantando. Composta e gravada pela própria, a versão em português é da cantora Giane, que por muito tempo ficou nas paradas de sucesso em 1965. O Trio Esperança também gravou a musiquinha cujo refrão completava: "O seu príncipe encantado, seu eterno namorado / Que não cansa de esperar".

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Rainha do lar

Se o leão com seu brado rugido é o rei da floresta, nas nossas arrumadinhas casas dos anos 1970 a enceradeira reinava entre os eletrodomésticos. Para perturbar quem queria ela ganhava do liquidificador em som e tempo. Hoje superada por produtos pós-cera e outros lustras pisos maravilhosamente práticos, as rainhas de lata e longos fios chegavam a todos os cômodos do lar, praticamente só não passava em banheiros, jardins e terreiros cimentados. Lá estava ela, a magricela que parecia um aparato sofisticadíssimo, com colunas que dobravam na base, escovas pesadas ou leves, adequadas à superfície de trabalho. No taqueado, então, as velhas combatentes eram mestras. Só mamães e empregadas pareciam ter carteira de habilitação para pilotar aquelas sondas, mas nos atrevíamos a tentar dar cavalo de pau ou tentar lançar objetos colocados sob ela. Faziam suas tarefas (lustro ou brilho) com destemor, seja com uma ou duas bases giratórias. A de três me lembrava uma lateral da esteira de um tanque ou robô. A mais simples, com um discão de cerdas ou feltro, também tinha seu valor. Eram a nova geração daqueles escovões de ferro fundido e longos cabos de madeira. De rainha do lar virou rainha da sucata. Merecia uma canção de Odair José, o rei das domésticas, que cantavam músicas bregas como as dele. Mereciam uma biografia como memórias de enceradeira. Taí.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Tijolão analógico

Bons tempos aqueles. Tudo bem que nossos primeiros celulares são coisa dos anos 1990, aqueles tijolões analógicos que carregávamos na cintura com uma capa de couro atada ao cinto. Mas achei interesse mencionar o revolucionário meio portátil de comunicação para mostrar um ponto importante de transição. Eu me lembro de ter deixado a bateria de meu primeiro aparelho carregando mais de 24 horas para acionar pela primeira vez. Além disso, é legal lembrar que os filmes de ficção científica dos anos 1970 e 1980 dormiram nesse ponto. Viam o mundo futuro, do século 21 em diante sem a presença de celulares. Como estavam errados.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Semana de filmes santos

Feriado de Semana Santa passado em casa era muito comum para a gente naqueles anos 1970 e 1980. Aquele período era para ir à missa em pleno dia útil e de assistir à tarde na TV Globo uns filmes antigos com temática religiosa. A superprodução clássica de que mais recordo é o Milagre de Fátima. Nele, a passagem mais marcante para mim é quanto o padre diz “o diabo assume muitas formas”, depois do torturante interrogatório dele sobre as três crianças protagonistas da história baseada no episódio da aparição da Virgem Maria em Portugal, no começo do século passado. A telinha também nos oferecia nesses dias santos a série Heróis da Bíblia, muito legal mesmo, e aquela velha cinebiografia de Jesus na qual Ele aparecia só de costas em toda a duração. Vocês se lembram? Havia ainda os dois clássicos dos clássicos: Rei dos Reis e Ben-Hur. A gente se divertia na crença de que as sessões televisivas alimentavam os espíritos.

sábado, 4 de agosto de 2012

Fanfarra de 7 de Setembro

A palavra tarol ainda reverbera no meu ouvido e meu estômago ainda faz eco para o bumbo. Ta-ra-ra-ra! Tum-tum-tum! Todo ano éramos convocados pelo calendário escolar e municipal a participar de uma atividade cívica de grande escala, pelas ruas e sob o sol de Curvelo. O Sete de Setembro era uma farra, aliás uma fanfarra. Os ensaios consumiam semanas de véspera. Os integrantes da banda escolar cadenciavam a marcha dos alunos, que saíam em filas por classes. Os pelotões eram separados por balizas, aquelas meninas com bastões. Também tinha os alunos que levavam faixas e bandeiras de sua agremiação. Os cidadãos todos vinham nos ver e os familiares ficavam orgulhosos dos seus meninos e meninas uniformizados. Alguns vinham até caracterizados por algum personagem histórico ou fazendo a figuração deste. Depois da jornada patriótica no feriado, a dispersão e o retorno para a casa. O cortejo incluía também as forças fardadas da cidade, os policiais e militares. Tudo bonito.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Hora da merenda

Nos meus tempos de menino não havia chá das cinco nas nossas casas. Mas tinha um generoso café das quatro. Era a hora da merenda. A mãe da gente ou a empregada nos chamava e vínhamos correndo para comer pão doce, pão salgado, pão de queijo, marta rocha, biscoito de queijo, bolo de fubá, fatias com ou sem açúcar por cima... Lá nos esperava uma farta mesa servida sobre uma toalha xadrez estendida com as delícias mineiras da tarde. Todas as iguarias regadas a leite de vaca e café doce coado na hora. Quando queríamos continuar vendo TV, preparávamos um prato e o levávamos ele para a sala com um caneco na mão. Se estudávamos no período da tarde, a hora do recreio da escola também era a esperada hora da merenda. A diferença estava no cardápio não menos saboroso e calórico, que incluía até feijão tropeiro.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Arabesco de caminhão

Para mim, sempre houve uma cultura milenar escondida nos desenhos estereotipados nas carrocerias de caminhão. Mas do que as famosas frases de parachoque, eu viajava nos traços quase rupestres nas madeiras do curralzinho sobre o chassi. Alguém me ajuda?