quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Canção de ninar
"Boa Noite", de um autor desconhecido, era a canção de ninar preferida de minha mãe. E que logo se tornou a minha e de meus irmãos também. "Boa noite, diga ao menos boa noite. Abra ao menos a janela. Pois eu canto é pra você...", começava a música. Depois vinha "boa noite, durma, durma bem com os anjinhos. Pra amanhã logo cedinho pois eu canto é pra você...". Doce e em tom de serenata.
sábado, 26 de abril de 2014
Sapatos engraxados e brilhando
Sapato preto 753 da Vulcabrás era o pretinho básico de todos nossos pés de garotos que estudavam no Colégio Padre Curvelo. Esse e seus equivalentes eram o calçado oficial para cerimônias. E para deixá-los bonitos e apropriados, graxa neles! Tinham de estar sempre limpos e bri-lhan-do. Podíamos até levá-los ao engraxate, geralmente associado ao barbeiro, mas também tínhamos um kit básico, formado por uma ou duas escovas de cerdas diferente e uma latinha de Nugget preta. Se fosse o caso, também tinha uma só para lustro, além da marrom para aplicar no couro desta cor. Vocês se lembram? Estava esquecendo daquele paninho para completar o serviço doméstico. Tempos diferentes dos atuais, quando as coisas não são feitas necessariamente mais para durar e brilhar.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Disca pra mim?
Telefone era uma coisa de outro mundo, bem diferente da banalidade das comunicações digitais de hoje. O peso e a sobriedade do único modelo de aparelho de telefonia fixa impressiona as novas gerações. Aquela coisona preta estava presente em poucas casas e atendida por um grupo menor de dígitos. Na minha casa era só os atuais quatro números finais, depois ganhando o prefixo local 721, depois 371. Fazia um barulhão na chamada e precisava ser limpo como um objeto de decoração. Era o tempo de discar para alguém e não ligar ou telefonar. Poucos saberm hoje o que é colocar o dedo no disco do aparelho e ir selecionando a sequência entre zero e nove. No começo, ligações DDD precisavam de ajuda de telefonista. Na esquina de minha casa tinha também um posto telefônico, algo inimaginável hoje. A agência da companhia telefônica estatal, a Telemig, tinha umas cabines para onde íamos esperar a telefonnista fazer a conexão e transferir para o aparelho lá. Em BH, íamos até a sede da companhia, próximo da Praça Sete, para fazer o ritual de chamar para a família em Curvelo. Ficha de orelhão não durava nada, ficava caindo à cada frase. Hà muito não discamos para nada.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Bola oficial da pelada
"Essa bola derrubou meu vaso. Se cair aqui de novo, vou cortar ela na faca". A advertência do vizinho foi ouvida pelos meninos de todos os cantos do país. Todo mundo tinha a tal Dente de Leite, uma leve e valente bola branca emborrachada com gomos pintados. Proibida dentro de casa, ganhava as ruas e reinava nas peladas. Rolava em todo tipo de terreno e batia tanto em muros, portões e outros lugares que acabava desbotada e ralada. Até rasgar e murchar por razões naturais ou não. Quantos craques revelou? Quantas janelas quebrou? De quantos gols participou? Incontáveis.
domingo, 6 de outubro de 2013
Sorvete da máquina
A doce infância de Curvelo tinha entre os seus símbolos guloseimas industrializadas e artesanais. O sorvete americano, sobretudo aquele que comprávamos na Praça Benedito Valadares, é algo inesquecível. A máquina que tirava o conteúdo das casquinhas e potinhos na hora era uma delícia para os olhos, com suas garrafas de vidro viradas para baixo, fazendo barulhos elétricos e de bolhas de ar, quando era acionada. O sorveteiro de balcão também tinha sua técnica para ir assentando aquele tubinho de sorvete, uma coluna do sabor escolhido, girando, subindo e descendo. Gostava muito do sorvete de limão, que não era dos mais populares. Pareciam menos doces e mais consistentes. Vocês se lembram? A loja da praça que falei se chamava, curiosamente, sorvete italiano, não é isso mesmo? Uma parada obrigatória naquelas tardes calourentas.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
As músicas de Luiz Cláudio
Desde o dia que nascemos, aprendíamos que a maior voz de Curvelo pertencia a Luiz Cláudio de Castro (1935-2013), o mais bem sucedido cantor curvelano da história e um dos poucos nomes no panteão de nossos heróis das artes, entre os quais se incluem o escritor Lúcio Cardoso, o cartunista Alceu Penna e o ator global Ângelo Antonio. Aquela voz aveludada, cantando uma música que tinha letra de Guimarães Rosa e o nome de nossa cidade no meio nos enchia de orgulho, registrado nos livros de história do município. Sabíamos de um tempo em que ele foi muito elogiado pela crítica e fazia parcerias com grandes artistas da MPB. Outro momento de orgulho que ele nos proporcionou foi quando esteve no programa Som Brasil, apresentado por Lima Duarte, nas manhãs de domingo da Rede Globo daqueles anos 1980. Lá estava a estação de trem no estúdio com a plaquinha de nossa terra. Eita! Sambas, modinhas e o cancioneiro mineiro estavam nos seus discos. Entre outras músicas que lembro estava A rua onde ela mora, composta com Antônio Maurício de Castro, e Blim, blem, blam, com Nazareno de Brito. Obrigado ao mineiro bom, como o apresentador Flávio Cavalcanti lhe chamava.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Dominique, nique, nique...
A música cantada pela freirinha de violão rodeada de crianças nunca saiu de minha cabeça. Um antigo sucesso dos anos 1960, tema do filme norte-americano Dominique (The Singing Nun, EUA, 1966), com Debbie Reynolds e Ricardo Montalban (o senhor Roarke de A Ilha da Fantasia), tinha como refrão o famoso "Dominique, nique, nique... Sempre alegre esperando alguém que possa amar". O programa típico de Sessão da Tarde nos anos 1970 era baseado num musical infantil, por sua vez inspirado numa personagem real, a religiosa belga Souer Sourire, a Irmã Sorriso. Ela cuidava de crianças pobres e vivia cantando. Composta e gravada pela própria, a versão em português é da cantora Giane, que por muito tempo ficou nas paradas de sucesso em 1965. O Trio Esperança também gravou a musiquinha cujo refrão completava: "O seu príncipe encantado, seu eterno namorado / Que não cansa de esperar".
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