terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Marcas inesquecíveis

Antes de começar o post, um pedido de desculpas por ficar tanto tempo sem atualizá-lo. Não faltam reminiscências para colocar aqui, mas os últimos meses foram especiais. Nos nossos tempos de menino em Curvelo não havia grande diferença entre o que a classe média local consumia e o que os ricos da capital compravam. As prateleiras dos supermercados tinham alguns produtos hours-concours (é assim que escreve?). O biscoitinho (queijinho) da Piraquê, que chamávamos de ovinhos, era um tira-gosto legal. A latinha de sardinhas Coqueiro também não me escapa da memória. Outra é a latinha de cera com o bonequinho vestido de bell-boy. Bons tempos aqueles. A embalagem de OMO é praticamente a mesma. Mas cadê o ODD, detergente? Fósforo Fiat-Lux e palitos Gina OK. Mas e a manteiga Sete, de Sete Lagoas obviamente? Sucos Maguary rendia uma beleza. O Tang mais ainda. Hoje tem muito mais variedade e até qualidade em certos casos, como o dos alimentos com menos colesterol e açúcares. Mas acho que a emoção está sendo perdia. Nos-tal-gia pura. Alguém se lembra de outras coisas boas que as gôndolas dos supermercados (ou mercearias, claro) curvelanas traziam?

domingo, 23 de agosto de 2009

Jardins da infância

Plantas em forma de bichos, seivas venenosas parecidas com cola escolar, lagartas de verde reluzente, casulos ocultos por folhas, trevos da sorte comestíveis, vasos feitos de raízes, canteiros cercados de pedra, flores convertidas em bailarinas, nomes engraçados, mãos cuidadosas cheias de calos, maquetes de floresta para bonequinhos, verde de todas as tonalidades e idades, segredos de minhoca, picadas doídas, água regada, muita água. O barulho da água da mangueira nas folhas grandes parecia tambores das selvas. Esta pode ser a descrição do país das maravilhas das crianças curvelanas que nasceram e cresceram entre os cultivos de jardins e quintais de suas casas. Decorar o lar era a razão oficial para a existência dos jardins, mas talvez fosse a menos importante. As crendices diziam que as plantas estavam lá por razões medicinais e espirituais. O cultivo de plantas ajudava a curar males do corpo e a espantar maus olhados. Quando lembro dos jardins da infância constato algo de mágico e de forte saudosismo. Percorria alamedas em todas épocas do ano. Sob o sol, todas as cores, com predomínio do verde. E para os meninos, brincadeiras e sonhos de aventuras.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Brinquedoteca clássica

As listas de brinquedos considerados hoje clássicos rolam solto na internet. Não falta nostalgia e imagens capturadas para ilustrar a relação de objetos dignos de culto pela geração dos anos 80. Lembro-me de cara do Pula Pirata e do Cão Xereta. Embora não tivesse esses dois, sabia deles e conhecia a publicidade. Outro é o bonequinho do ET, mais simpático que o personagem de Spielberg. De formas variadas, trunfo de colecionadores mirins, havia as séries de soldadinho de plástico (verdes e cáquis), as caixinhas e os frasquinhos das mini coca-cola e os ioiôs, também da marca de refrigerantes. E o robozinho controlado remotamente Ar-Tur? Inesquecível. Mais clássicos aindas eram o Disney Molde para os aspirantes a escultores e o kit Pequeno Arquiteto, com pecinhas de madeira que viravam prédios, igrejas, cidades inteiras. Coisas bobinhas pelas quais babávamos e nos divertiam muito eram a Mão Biônica e a Garra sei-lá-o quê. Mas a lista é bem maior: Aquaplay, Lego, Playmobil, futebol de botão, Pega Vareta, Genius e cubo mágico. Joguinhos? Palavras cruzadas (com pecinhas de madeira), War, Detetive (gostava da biblioteca inglesa e as pecinhas de plástico) e Ludo. Por fim, a mascote das cozinhas: a Galinha da Maggi. Bons tempos aqueles.

domingo, 9 de agosto de 2009

O logotipo diz tudo

Os pingos de colírio poderiam ser ou Lavolho ou Moura Brasil, tradicionalíssimos. Aliás, eram poucas as marcas que frequentavam o armário do banheiro. Acostumados ao tempo seco e à poeira, o colírio podia significar alívio imediato, sobretudo para os mais velhos. A bula do Moura Brasil, frasco de 20 ml, diz que o produto "descongestiona os olhos vermelhos, aliviando as irritações", o definindo como "solução oftálmica antisséptica, adstringente e sedativa para o tratamento das irritações e infecções da conjuntiva. Conjuntivites, irritações oculares (poeira, vento, calor, fumaça, gases irritantes, luz e corpos estranhos)". Além disso, adverte que o colírio "não deve ser administrado a pacientes com glaucoma de ângulo agudo ou que apresentam predisposição ao glaucoma". E que deve ser usado "com precaução" em pacientes com problemas cardiovasculares, diabete, doenças oculares graves, infecção ou na presença de ferimento ocular, hipertensão, hipertiroidismo ou com hipersensibilidade à nafazolina.

Boi da cara preta

Viver num dos maiores pólos criadores de zebu e guzerá do mundo acaba nos expondo à cultura dos currais, mesmo que não frenquentemos sítios e fazendas. Fincados no meio urbano curvelano víamos o desfile de fazendeiros e empregados rurais, no comércio, de passagem, em busca de serviços. O leite da região movimenta o maior dos negócios da cooperativa agropecuária local e o parque de exposições apresentava, pelo menos uma vez por ano, animais chifrudos de grandes portes. Meninos da cidade, conhecíamos desde cedo essa fauna e não nos assustávamos com a careta do boi-boi-boi da cara preta. Até hoje me arrependo de não ter comprado um chapéu de couro ou me deixar ser fotografado ao lado de um boi premiado.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Mármore de refinaria

Para dar conta de tanta criatividade fomentada pelas nossas boas escolas públicas de Curvelo dos anos 1970 e 1980, um material parecia ser indispensável. Com ele eram feitos variados painéis, bonecos e outros objetos decorativos. Eram as tradicionais placas ou folhas de isopor, de diferentes tamanhos e espessuras. Podiam ser cortados por facas dentadas, dessas de cortar pão, ou, com alguma habilidade, por arames em brasa. Ver as formas surgindo após o rápido deslizar do fio quente era como presenciar um instante mágico.

Milagre da chave

Se alguém se chama Geraldo tem alta probabilidade de ser mineiro e uma grande chance de ser curvelano. O santo italiano de Muro chegou por acaso na cidade e ganhou mais destaque local que o próprio padroeiro, Santo Antônio. Dos painéis que narram sua biografia (a mais inusitada dos heróis católicos) pintados por artistas europeus nas paredes da basílica de Curvelo, o que me chamava mais atenção era o do "milagre da chave". A idolatrada imagem do menino Jesus foi usada por Gerardo (o nome correto, no original) como imã para retirar a peça do fundo da cisterna. Para o espanto dos que presenciaram o milagre, a escultura surgia com o perdido na mão. Nossos olhos de menino se encantavam com aquele fenômeno protagonizado por um leigo que sonhava em ser sacerdote, a despeito de sua pobreza e baixa instrução. No santuário (a outra denominação do nosso majestoso templo redentorista) também se destacava a imagem do santo morto. Para os inocentes garotos, São Geraldo dormia de sapatos.