domingo, 6 de junho de 2010

Gravado na memória

A nostalgia parece não ter fim. Lembre-me esses dias do velho gravador que ganhei no começo da adolescência. Era aqueles que a gente carregava numa capa de couro com alça, deixando abertas as teclas e a entrada da fita K7. Numa época em que não havia youtube e dvds, usávamos o gravador como álbum de figurinhas sonoras, para mostrar aos amigos. Lembro de ter gravado um trecho de Capitão Blood, com Errol Flyn, diretamente pescado da Sessão da Tarde. Meu irmão, por sua vez, gravou uma fala do musical Hair. Ali capturei minha imitação de um galo carijó e outras besteiras. Mais esperto foi a brincadeira nossa de simular diálogo com um robô, deixando trechos mudos seguidos de espaços com respostas gravadas para as esperadas perguntas nossas. Onde será que estão essas fitas?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Banca ambulante

Pamonhas, pamonhas, pamonhas... O mais famoso bordão recitado por vendedores ambulantes montados em altofalantes de caminhões também ecoou por Curvelo e por minha infância. Mas outros caminhoeiros-feirantes marcaram presença ainda mais forte, sempre nos convidando a sair de casa para comprar frutas, geralmente melancias e abacaxis. Tinha um caminhão do interior do Espírito Santo que todo ano atravessava nossas ruas vendendo seu abacaxi "ducinho-duciiiiinho" (acho que era assim que o altofalante berrava). Também vinha outros da região de Caratinga, se não me engano. Tinha uma caminhonete velha que sempre estacionava na fábrica de gelo carregada de laranjas lima. Estavam à venda? Não me lembro bem. Bons tempos.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Babás eletrônicas

Elas eram belas e nos entretinha nas tardes quentes com seu jeito mágico de ser. As protagonistas dos chamados enlatados americanos A Feiticeira e Jeanie é um gênio, telesséries cômicas prá lá de clássicas, fazem parte de nossa infância em Curvelo. A TV servia como babá eletrônica para a garotada, com uma programação bem menos violenta que a atual e, diga-se, bem mais inteligente e elegante. Alguns episódios são inesquecíveis e divertiam a família toda. O talento e a beleza das atrizes louras Barbara Eden (Jeanie) e Elizabeth Montgomery (Samantha, a feiticeira) nos enfeitiçava. E elas nos encantam até hoje. Bons tempos aqueles da telinha brasileira...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Big bands e poupurris

Meus tempos das big bands (Exagerando? É claro) ficaram enterrados no passado de minha Curvelo. Podem até achar brega, mas relembrar aqueles bailes embalados por belas baladas de bandas (Aliteração? É claro) é exercitar um doce saudosismo. Os eventos dançantes especiais na sede campestre do Clube Recreativo Curvelano (CRC), animados por uma trupe musical que desembarcava de um colorido ônibus, são inesquecíveis. As bandas eram regulares, mereciam uma nota seis, mas eram pau para toda obra. As melhores eram daquelas que tocavam em festa de casamento e de formatura. Exemplo? A Banda Brasil Exportação. Geralmente elas abriam o eclético repertório com um sucesso do momento, depois rolava um Frank Sinatra e classicões de Glen Miller. Crooners femininos ou masculinos se revezavam na primeira ou segunda voz. Depois faziam uma “viagem musical” pelos ritmos mais conhecidos do mundo. Entre um poupurri e outro, tinha a hora reservada para os casais dançarem e a hora da agitação geral. Por fim, a saidera tinha um apoteótico samba, carnaval ou axé. Apesar do enrrolation nas letras estrangeiras, dos acanhados canhões de luz e dos teclados com batida viciada, os momentos sonorizados por essas bandas mereceram nossos brindes com cerveja, guaraná e, eventualmente, uísque.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sinal verde para a saudade

Que fim levou o velho semáforo de Curvelo? Alguns dizem que virou sucata, outros que está sob a guarda do museu. Quero saber onde o sinal de trânsito das antigas foi parar. Em um tempo sem tráfego pesado, ele era quase uma atração em si mesmo, localizado em frente a um bar, na esquina da Praça da Matriz, próxima ao Hotel Bandeirantes. Ele alto e elegante, pintado de amarelo, uma girafa metálica que despertava a curiosidade, sobretudo das crianças. Lembro-me dele servindo de abrigo para abelhas. Lembro-me de ter visto outros iguais a ela apenas nos filmes americanos. Lamento não ter feito uma foto do semáforo nos muitos anos que ficou desativado (alguma vez foi ativado?), para guardar de recordação. Fica aqui o registro da saudade e o sinal verde para receber mais informações.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Som na vitrola

As novas gerações devem conhecer a palavra vitrola apenas em sentido figurado. Nos nossos tempos pré-CD, os toca discos de agulha e os LPs de vinil, juntamente com os toca-fitas K7, resumiam todas as possibilidades de coleção musical. Além do que o rádio e a televisão nos apresentava, também podíamos conhecer via amigos, lojas e acervo familiar sons de variados tipos e épocas. Da nossa vitrola portátil vermelho da Philips saía muitas canções legais e outros sons. Do Queen a Connie Frances, da Orquestra Cavalaro a Maria Bethânia, de Roberto Carlos a Julio Iglesias, da coleção Disquinho às piadas de Zé Vasconcelos. Tudo de high fidelity. Esses dias lembrei que tínhamos até um disquinho com o hino nacional brasileiro e outro das baladas francesas de Adamo. É esse mesmo o nome? Foi em volta da velha vitrola (que também podia ser movida a pilhas) que formei coleções de Cyndi Lauper e do cancioneiro italiano (San Remo 69 e outros).

Um relógio campeão

Com ele não tinha tempo ruim. Quase todos os meninos de Curvelo usavam, seja pra ir a uma missa, paquerar muma festa, jogar bola, nadar no Recreativo e na escola. O leque de pulseiras coloridas, de borracha ou de plástico, podia ser adquirido de uma só vez ou por uma a uma. Falsificações do engenhoso produto camaleônico também existiam naqueles longíquos anos 1980. Sim, estou falando do relógio Champion, um dos símbolos daquela época. Sobre aquele display preto do velho companheiro de dar corda víamos horas preciosas nossas passar. Além de prático e mutante para dar a impressão de que tínhamos meia dúzia de relógios, o Champion tinha um marcador para cronometrar, um disquinho preto dentado que girava para indicar o ponto de partida e de chegada. Com o passar do tempo, era preciso dar uma boa limpeza nos locais de encaixe do relógio de pulso e tomar cuidado para o disco "cronômetro" não se soltasse de vez, quebrasse e virasse uma argolinha perdida. Se bem que dava para transplantar essa pecinha de um pra outro.