sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Olha a puuuuxa!

Como é que chamava aquele senhor mais velho que passava pelas ruas de Curvelo vendendo balas e pirulitos? Se não me engano, para chamar ainda mais a atenção, ele também usava uma daquelas matracas de procissão de Sexta-Feira Santa. "Olha a puxa! Chuuuuuupeta!". Acho que era assim que ele bradava para se fazer notar, não era? A meninada saía então correndo das casas pra calçada com alguns trocadinhos de dinheiro para comprar essas guloseimas sem grande sofisticação. Açúcar caramelizado que não faziam muito bem pros nossos dentes. Na cidade havia ainda os sorvetes Sibéria (alguém tem imagem?), com os carrinhos rodando para todo lado e fabricação próxima da Praça Benedito Valadares. Um amigo me informou que o nome do vendedor era Balsamão.

domingo, 3 de agosto de 2008

Herói da geração

Quem já teve um Falcon? Esse herói de borracha e plástico articulado oferecia mais realismo do que outros bonecos da época, além de apresentar um universo variado de uniformes, armas, veículos, equipamentos especiais etc. Tinha também uma versão olhos de águia, lembra? A Estrela é a indústria responsável pelo lançamento aqui no Brasil desse sonho de consumo dos garotos de nossa geração. Falcon tinha até o seu arquiinimigo, o Torak, com uma garra num dos punhos e um "raio laser" disparado do peito. Lembra? Para incrementar a nossa bricandeira, minha mãe confeccionava roupas e barracas para os bonecos, além dos apetrechos que tinha. Os kits eram muito legais - de pesca submarina a espionagem.

Pilotos da calçada

O carrinho de rolimã era de todos os nossos brinquedos o mais criativo. Além de ter que disputar o primeiro lugar nas corridas do tradicional passeio da esquina entre as ruas Desembargador Barata e Benjamim Constant, em Curvelo, existia também entre nós uma saudável competição para ver quem conseguia construir o veículo de madeira de melhor desempenho.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Hello, my baby!

Michigan J. Frog. Só depois de muitos anos fomos saber como se chamava aquele personagem verde, um símbolo de nossa infância diante da TV. O desenho animado clássico (1955)da Warner Bros. está presente no imaginário de milhões de pessoas da nossa geração em todo o planeta. A história do sapo cantor que, de tempos em tempos, desperta a cobiça do homem comum é bem conhecida. Ela se tornou um fenômeno, que surpreendeu até o próprio estúdio americano. Não é difícil a gente começar a cantarolar trechos da principal canção do pequeno batráquio de cartola e bengala, quando ele saltava para fora da sua caixa. Os bonequinhos licenciados do singer frog (made in China) são vendidos até hoje. O Michigan já inspirou algumas sátiras em outras produções da televisão e do cinema. "Hello, my baby. Hello, my honey. Hello my ragtime...", diz o refrão da música dos anos 30 na Broadway.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Força dos currais

O Parque de Exposições Getúlio Vargas, recém-rebatizado (com merecimento, diga-se) para Parque Antônio Ernesto de Salvo é um lugar que espelha a grandeza do passado agropecuário de Curvelo. Com o apoio da Prefeitura Municipal, a Exposição Agropecuária (e ultimamente também industrial) de Curvelo, realizada pela Associação Mineira dos Criadores de Zebu (AMCZ), representa um dos maiores eventos populares de toda a região. Para nós foram muitas exposições. Além de ficar diante de grandes animais, víamos artistas, assístiamos rodeios (um até serviu de locação externa para a novela Paraíso, da Globo) e também encontrávamos os amigos. O segundo maior e melhor parque de Minas Gerais mostra animais das raças Guzerá, Simetal, Pardo Suíço, Nelore, Limousin e muitas outras. Por falar em Limousin, o amplo estacionamento do parque sempre foi tradicional campo de provas para quem estivesse tirando carteira de motorista.

Era uma vez um sítio...

Pode haver mil adaptações da obra mais conhecida de Monteiro Lobato, mas nenhuma se igualará àquela que assistimos quando crianças na tela da Globo. Elenco, direção, roteiro e as músicas de O Sítio do Picapau Amarelo nunca saíram de nossas cabeças e corações. Pir-lin-pim-pim! Tudo era possível nesse conto de fadas bem brasileiro. Também tudo muito bem feito, com profissionalismo, sem apelos desnecessários e muito inspirador para a garotada. A recente morte de André Vali, o eterno Visconde de Sabugosa, foi muito sentida por nós. Depois dele, foi Geraldo Casé, o diretor também a se encantar. Nunca esqueceremos de Dona Benta, Emília, Pedrinho, Narizinho, Tianastácia, Zé Carneiro, Pedro Malazarte, Tio Barnabé, Quindin, a Cuca...

Templo da sétima arte

Durante anos ouvimos notícias sobre um inevitável fechamento das portas do Cine Teatro Virgínia. O espaço máximo da cultura em Curvelo poderia, de uma hora para outra, deixar de ser o nosso Cinema Paradiso. Demorou, mas o maior orgulho dos curvelanos acabou se tornando um melancólino retrato de uma derrota de toda a sociedade. Não fomos capazes de manter o melhor espaço no interior de Minas para a sétima arte. Ali nós assistimos centenas de filmes, como as séries dos Trapalhões, de Guerra nas Estrelas, de Superman e tantos outros clássicos. O ritual da abertura das cortinas era um show à parte, com sua seqûência de luzes coloridas evoluindo rumo ao telão, que poderia suportar um cinemascope. Os LPs com as trilhas sonoras, que tocavam momentos antes do filme começar, também embalavam sonhos e preparavam nossos corações ansiosos pelo início da sessão. As guloseimas também eram muito legais. Os pacotes de balas chita e soft que montávamos lá deixaram saudade. Devemos ao Virgínia um capítulo feliz de nossa infância.