sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Chinelada no tédio

Ele voltou recentemente com novo visual, mais parecido com as imbatíveis Havaianas. Mas o que deixou pegadas na memória de minha adolescência foi o velho e bom Rider. Os chinelos pesados eram obrigatórios para ir ao clube ou mostrar descontração em público. Tinha um design moderno e arrojado. Usávamos até literalmente rachar. Lembram? O produto faz parte de um universo nostálgico formado ainda por Congas, Rainhas, Kichutes e Havaianas. Uma peça do vestuário que compunha com camisetas e calções, além de carteiras com felcro e relógios champion. E ainda serviam para demarcar as traves de um gol imaginário na pelada. Alguns mais habilidosos também "lançavam" o chinelo diretamente do pé em tiros certeiros para alvos montados.

domingo, 22 de agosto de 2010

Biscoito finíssimo

Os deliciosos biscoitos champanhe, também muito conhecidos em Portugal, onde recebem a alcunha de “palitos la reine”, resistiram ao tempo e aos paladares modernos e ainda são encontrados com facilmente no varejo. A marca que lembro bem é a da Aymoré, mas sei que tem outra ou outras. São únicos, no seu formato retangular e com as extremidades arredondadas, cor levemente dourada e consistência suave e um pouco quebradiça, tradicionalmente no sabor limão e revestidos por açúcar cristal granulado. Nos meus tempos de menino, comer biscoito champanhe (acho que se escrevia champagne, igual ao do guaraná Antarctica) era um luxo. Era algo para ser consumido em ocasiões e datas especiais e que servia de ingrediente básico para finas tortas doces. Lembram? Comer um biscoito desse puro parecia ser um desperdício. Legal era, pelo menos, mergulhar no copo de refrigerante num lanche de domingo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Fundo de quintal Lab

Era um pedido insistente pelo presente que foi atendido. Minha prima Cybele, que é química, me presenteou com um jogo científico infanto-juvenil muuuuito legal chamado de Pequeno Cientista. Achei na internet kits antigos da marca Sentosphere, que permitiam experiências simples e quase sem nenhum perigo, quase envolvendo soluções à base de água. A caixa trazia um belo microscópio, dezenas de tubos de ensaio, pipetas e frascos com soluções variadas. Continha oito produtos químicos solúveis com tampa de segurança, três frascos de corantes solúveis na água, um frasco de corante solúvel ao óleo, duas pipetas, uma colher, dois vidros graduados com tampa, dois cavares, um apoio e três tubos de ensaio de vidro, um tubo de ensaio com buraco para fazer bolhas, uma espátula, duas minas de carbono, uma pequena colher, um conector para as pilhas, lunetas de segurança, um mata-borrão e manual instruções para diferentes experiências. Brincava de pesquisador na casa do fundo de quintal, batizada de "o laboratório". Numa das experiências, um pingo de uma mistura ácida me deixou para sempre marca de queimado na mão esquerda. No microscópio observávamos bactérias em fios de cabelo, antenas de formiga e curiosidades mil postas na lâmina. Lembro do cheiro de enxofre vindo de um vidro e de porta-tubos feito por carpinteiro.

Eldorado bombardeado

Nos tempos em que estudava no Colégio Padre Curvelo, passava em frente a uma casa de fliperama ao lado do Bar Laçador, Praça Benedito Valadares. Dos hoje considerados rudimentares e nostálgicos jogos eletrônicos movidos à ficha que havia lá, o mais sofisticado era o Xevious. Meu amigo Zé Pedro fazia misérias no bombardeio de uma cidade perdida na Amazônia, pilotando um disco voador sobre rios, matas, pirâmides "astecas" e aldeias. O sobrevoo do OVNI na telinha em cores do quiosque era manobrado por apenas uma alavanca preta e alguns botões. Essa jogatina até viciava (talvez melhor dizer envolvia), mas bem menos e com muito menos danos à mente do que os atuais joguinhos digitais de bolso e domésticos. Pois bem, tempo esgotado. Game OVER!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Gênio da garrafa

A garrafa é bonita, me lembrava a da Jeannie, a gênia loura do seriado da TV. Nela, um licor translúcido da fruta amarela que é o símbolo do sertão mineiro e goiano. Licor de pequi da melhor qualidade, apreciado até pra quem torce o nariz para a iguaria do cerrado. O licor Cristal Brasil foi por muitos anos uma espécie de cartão de visitas das autoridades curvelanas, servindo de presente oficial da terra para gente ilustre, como o ex-presidente francês François Mitterand. Também cultivei o hábito de presentear amigos nas quatro capitais onde morei com a bebida, com o alerta que deveria ser sorvida com dedal, porque tinha alto valor calórico e alcólico. E porque era rara. Está cada dia mais raro encontrar a garrafa do gênio curvelano que a criou.

domingo, 6 de junho de 2010

O segundo carango do pai

O primeiro carro de minha família em Curvelo foi um fuscão bonina, ou vinho, como se chamava a cor na época, mais escura do que o vermelho clássico. Antes desse veículo, meu pai andava de bicicleta. O segundo carro dele foi de longe o mais confortável de todos que teve: um corcel bege. A luz de centro do habitáculo do automóvel era, para mim, um luxo. Os cinzeiros embutidos também eram chiques, além de outros detalhes. Depois veio um Fiat 147 a álcool, made in Betim, verdão. O apelo do modelo estava na economia com gasto de combustível. Mas continuei com saudade do corcel, símbolo dos anos 1970, que tinha um logo com o belo cavalo do qual pegou o nome emprestado. Tempos de carroças. O Scort XR3, sobretudo o conversível, era, por exemplo, o carango dos sonhos dos garotos.

Gravado na memória

A nostalgia parece não ter fim. Lembre-me esses dias do velho gravador que ganhei no começo da adolescência. Era aqueles que a gente carregava numa capa de couro com alça, deixando abertas as teclas e a entrada da fita K7. Numa época em que não havia youtube e dvds, usávamos o gravador como álbum de figurinhas sonoras, para mostrar aos amigos. Lembro de ter gravado um trecho de Capitão Blood, com Errol Flyn, diretamente pescado da Sessão da Tarde. Meu irmão, por sua vez, gravou uma fala do musical Hair. Ali capturei minha imitação de um galo carijó e outras besteiras. Mais esperto foi a brincadeira nossa de simular diálogo com um robô, deixando trechos mudos seguidos de espaços com respostas gravadas para as esperadas perguntas nossas. Onde será que estão essas fitas?